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JANEIRO, O MÊS BIFRONTE

Mais um ano chega ao fim e pensamos que é hora de planejar o futuro, fazer projetos e exprimir desejos para o ano que vem chegando. Janeiro, primeiro mês do ano, anuncia o que está por vir, mas também nos evoca o passado. E isso está no seu nome. Janeiro vem de Jano, deus romano que personifica as passagens, as pontes e os pórticos. E por isso, Jano era bifronte: um dos seus rostos olhava para frente, o outro para trás; um para o passado, o outro para o futuro; um para dentro e o outro para fora. Em português, o termo janela também está relacionado a essa divindade: a janela é uma pequena porta. Era cultuado em uma das colinas de Roma, o Janículo. No calendário romano, janeiro era o primeiro mês após o solstício de inverno. A partir da reforma feita por Júlio César, passou a designar o primeiro mês do ano, como até hoje nos países que adotam o calendário gregoriano, o qual introduziu pequenas correções no calendário juliano. Nesta passagem de ano, não é demais lembrar a importân...

TEMPURA E O KEBABBARO

Numa das salas em que lecionei português por vários anos, havia um pôster com várias frutas. Eu perguntava aos alunos: quem adivinha quais são as frutas brasileiras nessa imagem? Erravam quase tudo: a manga vem da Ásia, a jaca idem, a carambola também. Muitas frutas tropicais conhecidas não são nossas, mas nós levamos a fama. Raramente encontramos no exterior fotos de pitangas, essas, sim, típicas do nosso país. Uma vez comprei uma latinha de castanhas de caju, estava escrito: made in Germany. Sim, as típicas castanhas de caju da Alemanha! Quase tive um chilique. A palavra caju vem do tupi, o cajueiro foi levado para a África e para a Ásia pelos portugueses. E o tempura, esse prato típico japonês? É outro caso de importação. Alguns exageram, dizem que as frituras chegaram à China graças a Marco Polo, mas ninguém explica porque o nome tempura pegou em japonês. Portanto, fico com a tese mais recente, segundo a qual o termo vem da expressão "tempore quadragesimae", pois era um...

A QUEM PERTENCEM OS MORTOS?

Esta semana, duas notícias sem nenhuma ligação entre si chamaram a minha atenção. Uma delas informava que um documentário brasileiro tinha recebido um prêmio internacional: conta a história dos últimos sobreviventes de um povo destinado à extinção. A extinção certa: é um conceito brutal. Mas é com isso que temos de lidar: com um povo que morre e leva consigo a sua cultura e a sua língua. A derrota é coletiva, todos nós perdemos quando um povo desaparece. A humanidade se revela menos humana por permitir que povos sejam dizimados. A outra notícia referia-se a um político italiano, o qual afirmou que a política deve interessar-se pelos vivos, não pelos mortos. Discute-se na Itália a lei do testamento biológico, que prevê a possibilidade de as pessoas poderem exprimir-se sobre o fim da própria vida. A frase causou polêmica, e não apenas pelo conteúdo ético. Trata-se, claramente, de dois problemas diferentes: em um caso, é uma cultura que se perde juntamente com os seus últimos f...