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Mostrando postagens com o rótulo extinção

REBOBINAR - EM VIA DE EXTINÇÃO

Fora da esfera técnica, ninguém mais usa o verbo rebobinar. Antigamente era costume: rebobinava-se o filme da máquina fotográfica para não perder as imagens na hora de mandar fazer a revelação. Rebobinava-se a fita de vídeo para não pagar multa na locadora. Rebobinava-se a fita cassete (com caneta Bic) para não perder tempo, enquanto se escutava a próxima fita no aparelho de som. Ninguém mais rebobina. A gente clica, deleta, carrega, baixa, aperta o botão, escolhe o tipo de reprodução. Rebobinar dava aos sentidos da visão e da audição uma dimensão tátil mais intensa que a de hoje. Ou pelo menos mais circular.

LAMPIÃO DE GÁS, QUANTA SAUDADE VOCÊ ME TRAZ

Só os nostálgicos acompanham e lembram de Inezita Barroso. Um marco do nosso cancioneiro popular. Foi de Inezita que lembrei quando, pensando na minha infância escolar, pensei nesses termos, caídos em desuso e destinados às palavras em via de extinção do blog: mimeógrafo, papel carbono e mata-borrão. Essas palavras teriam sentido hoje? Sim, por que não? Na época da reprodutibilidade técnica (para citar um termo caro aos benjaminianos e que é mais atual do que nunca), reproduzir de modo limitado e artesanal pode ser um diferencial. Certamente os documentos produzidos com a técnica do mimeógrafo tornam-se históricos e os estudos da difusão das matrizes poderia ser um ótimo assunto de pesquisa em relação às formas digitais (ou virais) de transmissão atuais, que nós, professores, chamamos de "copia e cola". E pensar que a cópia, ainda que humilde, foi determinante na transmissão dos grandes saberes da humanidade! E que o copiar foi método nas artes e na transmissão da cultu...

ÉTICA - EM VIA DE EXTINÇÃO

Como pode uma palavra com setenta e nove milhões de citações na rede, com mais de oitenta e cinco mil citações em notícias, estar em via de extinção? Porque estão em via de extinção não apenas as palavras abandonadas, mas também aquelas que são utilizadas para chamar a atenção da opinião pública, ou, mais tristemente, as que se tornam objeto de polêmicas retóricas. A palavra "ética" hoje virou arroz-de-festa. Todo mundo usa para tirar o máximo proveito e usar o mínimo esforço. É claro que isso resulta de uma dissociação entre o discurso e a vida real. O método descritivo tomou o lugar do confronto de ideias. Moral da história: todo mundo fala sobre tudo e pode dizer, sem pestanejar, que está descrevendo o fato, não está defendendo a tese. O chato é que há anos, por defender as minhas posições, tenho sido acusada de ser moralista... Moralista, eu? Há anos tenho travado essa batalha quixotesca de buscar uma relação entre o dito e o feito. Eu não sou moralista, eu sou pros...

SE NÃO TEM MACHADO, CACE COM CARPINEJAR

Ando às voltas com a memória. Essa longa quaresma trouxe-me à mente minha avó, as suas expressões arcaicas e belas, que já no meu tempo de menina pareciam palavras erradas. Quando era menina, evitava repeti-las, nem a minha professora usava aquelas palavras! Mas quando descobri a nossa língua velha e mofada, aquela preciosidade que a gente despreza com a inconsciência de quem joga fora uma camisa desgastada, descobri as palavras de minha avó. Eram tantas.  No meio tempo tornei-me professora. E às vezes, para não perder o hábito e conservar a memória, perguntava para a nossa experiente secretária da escola se ela usava esta ou aquela palavra. Cara Nely, que ainda está lá, enquanto eu me encontro agora em outro arraial... A nossa secretária era mineira, minha avó era gaúcha, mas muitas vezes descobri com ela que em termos de tempo a língua é generosa e não faz muitas distinções regionais.  Talvez dessa experiência familiar e da minha natural inclinação para a língua venha...

ACHADOS E PERDIDOS EM PORTUGAL

CLICK, CLICK, 2012. Graças à rede, que não pode ser informática se não for humana, recebi uma atenciosa e preciosa contribuição sobre o uso dos termos listados por Francisco José Freire, que apresentei no texto anterior. Várias pessoas repassaram o pedido de informação sobre o uso dos termos em Portugal e sou grata pela disponibilidade, pela rapidez com que comentaram a lista de palavras e pelo cuidado em fazer o material chegar direitinho ao meu endereço. Um exemplo virtuoso de corrente. Espero que os leitores possam tirar proveito. Para mim os resultados foram muito interessantes. Reproduzo integralmente os comentários que me chegaram, só não cito o autor agora porque ainda não pedi sua autorização para fazer isso. Mas prometo agradecer devidamente assim que puder entrar em contato com todos os que participaram da coleta dos dados. " Há palavras que os brasileiros utilizam e que por cá são considerados arcaísmos. No entanto, na lista que me envias constam alguns termos...

ACHADOS E PERDIDOS

Lisboa, 1842. Francisco José Freire publica o livro "Reflexões sobre a Lingua Portugueza" (língua sem acento) em que lista palavras que estão desaparecendo do idioma de Camões. Passados 160 anos ( errata : 170 anos! - ainda bem que sou professora de português, não de matemática), descobrimos com surpresa que muitas palavras assinaladas por Freire continuam sendo usadas. Não sei se as palavras que selecionei possuem muita difusão em Portugal, mas algumas certamente são bastante usadas no Brasil. É interessante que o autor ao comentar as palavras indique também as fontes antigas, em que o leitor poderá encontrar tais termos e talvez ter dificuldade de entendimento. Sintetizo as observações do autor, com algum comentário curioso para o falante de hoje. - Acatar : significava honrar com respeito. Hoje é entendido como obedecer. - Alardo : referia-se a grupo de soldados, em sentido figurado indicava ostentação. Hoje a palavra que usamos é "alarde", e o sentido ...

AS AGRURAS DE SER -ISMO

Este era para ser um texto sobre palavras que estão sumindo, que soam continuamente em meus ouvidos como um despertador tocando o alarme. Se pensarem em palavras com as características que menciono, verão que muitas poderiam entrar na lista dos termos em via de extinção. O problema é que a reflexão tomou outra forma, aliás incompleta, e para fornecer dados mais confiáveis eu precisaria de meses de pesquisa. Ficam então o mote e os questionamentos que talvez com tempo eu possa investigar. As tentativas de obter resultados imediatos (diga-se, buscando exemplos na internet) falharam. Entre lançar o desafio e calar para não perder reputação, optei pela primeira opção e arco com as consequências. Azar o meu, quem mandou eu inventar um diário sobre a língua? x-x-x Sensacionalismo, simplismo, regionalismo, são mais de mil e quinhentas as palavras dicionarizadas com a terminação –ismo, indicando geralmente uma peculiaridade, uma corrente, uma característica, uma doutrina. Uma part...

EM VIA DE EXTINÇÃO 4

Desta vez publico uma lista sujeita a reclamações. Porque os números mentem, mesmo de boa fé. Trata-se de tema delicado, a política. Quando comecei a pescar as palavras, achei que estariam perdidas em notícias de arquivo. Para minha surpresa estão aí, sendo usadas para descrever, insultar, ironizar, e se não aparecem mais é porque talvez alguém tente esconder o jogo. Trata-se de pistolão, biônico, chapa branca, correligionário, cabo eleitoral, nepotismo, cabresto. Na coluna ao lado, em ordem alfabética, os comentários.

EM VIA DE EXTINÇÃO 3

Uma série predominantemente tecnológica: ficha telefônica, telefone público, discar, analógico, toca-fita, gatilho, danceteria, pesticida. Leia um clássico em versão eletrônica: grátis e ecológico. Uma oportunidade para revigorar o poder de palavras amareladas na nossa memória. Os comentários sobre as palavras em via de extinção, como sempre, na lista alfabética da página inicial.

MAIS PALAVRAS EM VIA DE EXTINÇÃO

Nossa pesquisa continua. Datilografia, tédio, disquete, desertificação. Por que estão sumindo? Culpa da tecnologia apenas ou mudança de perspectiva? Na coluna dedicada encontram-se os termos por ordem alfabética e os nossos comentários.

PALAVRAS EM VIA DE EXTINÇÃO

Qual é o ciclo vital de uma palavra? Termos ligados a nomenclaturas e a hábitos arraigados certamente estão destinados a uma vida longa, estratificando-se e produzindo expressões idiomáticas. Basta pensar no sentido figurado de nomes de animais, plantas, partes do corpo. As palavras que correm maior risco de desaparacer devem ser aquelas ligadas a fenômenos históricos específicos ou a técnicas sujeitas a transformação rápida. Dito isso, vamos às polêmicas: é possível proteger palavras ameaçadas de extinção? E a abolição de termos: é um fenômeno controlável? Quando é ético intervir no uso da língua, limitando o seu uso? Essas perguntas levantam um delicado problema, que vai além do “politicamente correto”. Toca aquela paixão nacional pelo controle legal da língua que usamos, e que começa no período colonial, com o Diretório de 1757, proibindo o uso da língua geral, na prática, a proibição das línguas indígenas. Alguém se espanta com o retorno periódico de iniciativas semelhantes para pr...