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Mostrando postagens com o rótulo sintaxe

DO PALAVRÃO À PÓS-VERDADE

Parece língua do "pê", mas se trata de estratégia comunicativa. O fato chamou a atenção dos jornais italianos: um partido, surgido da irritação dos eleitores em relação às políticas do governo, organizava comícios usando como chamada o mais conhecido e utilizado palavrão em língua italiana. Para simplificar e tornar digerível às camadas amplas da população, sem ferir a suscetibilidade de ninguém, os encontros passaram a ser denominados V-Day.  Com o tempo, o partido cresceu, elegeu-se e governa. Os militantes e também as lideranças do partido continuaram a utilizar insultos como forma de ataque aos partidos e aos políticos adversários. Era a técnica para surfar na onda da insatisfação da população, que deu alguns resultados. Agora que o partido está entre os maiores da Itália, os dirigentes decidiram que os palavrões não podem mais ser utilizados. E os pré-candidatos, que por muito tempo usaram a técnica, foram excluídos das listas para a escolha interna dos candidatos à...

SINTAXE, PARA QUE TE QUERO

Nessa luta da ortografia nova contra a ortografia velha, um aspecto permanece estável e sempre confiável para dar ao discurso o tom que desejamos: a sintaxe. A estrutura sintática do português é muito rica, por isso, ficar somente nas fórmulas conhecidas dá a impressão de preguiça ou pouco conhecimento. Em primeiro lugar, é preciso considerar a estrutura adequada para o objetivo que queremos atingir: não basta escolher o léxico, a estrutura da frase deve acompanhar, quer dizer, conta a forma e o conteúdo. Por exemplo, para informar, podemos escolher a forma passiva ou ativa. Escolhemos a passiva quando não importa o agente ou quando não convém dar peso ao agente; pelo contrário, a forma ativa evidencia quem pratica a ação. Notícias frescas: "O corpo de Autran Dourado foi velado no Rio de Janeiro"; "A Academia Brasileira de Letras concedeu a Autran Dourado, em 2008, o prêmio Machado de Assis" - dá para perceber a diferença? Também é possível optar por uma forma ...

O ÓBVIO ULULANTE, UMA PARÁBOLA PORNOGRÁFICA

De Nelson a Verônica, a linguagem cumpre uma parábola volumosa que se expande e se contrai, deixando o leitor à beira da deriva. É aí que sentimos a necessidade de encontrar uma paráfrase para o que não é verbalizado. O óbvio ululante O óbvio ululante é tão óbvio que chega a ser difícil explicá-lo com palavras. A sua constatação se exprime por um grunhido, é uma reação pré-lógica. A sua evidência materializa-se por uma interjeição, para dizer de outra forma. Lança mão da mais arcaica e visceral das classes de palavras, é um fracasso para quem acha que para tudo existe uma definição. Ah! Uh! Ih! Eh! Oh! É uma espécie de uivo admitido pelas severas normas gramaticais. A expressão de Nelson Rodrigues é fácil de entender até certo ponto: o óbvio ululante, na realidade, é algo que temos dificuldade para descrever analiticamente. É uma concentração de sentidos, uma espécie de bomba linguística pronta para explodir. E de vez em quando explode.   A Pornografia Está aí ...