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Mostrando postagens com o rótulo palavrão

DO PALAVRÃO À PÓS-VERDADE

Parece língua do "pê", mas se trata de estratégia comunicativa. O fato chamou a atenção dos jornais italianos: um partido, surgido da irritação dos eleitores em relação às políticas do governo, organizava comícios usando como chamada o mais conhecido e utilizado palavrão em língua italiana. Para simplificar e tornar digerível às camadas amplas da população, sem ferir a suscetibilidade de ninguém, os encontros passaram a ser denominados V-Day.  Com o tempo, o partido cresceu, elegeu-se e governa. Os militantes e também as lideranças do partido continuaram a utilizar insultos como forma de ataque aos partidos e aos políticos adversários. Era a técnica para surfar na onda da insatisfação da população, que deu alguns resultados. Agora que o partido está entre os maiores da Itália, os dirigentes decidiram que os palavrões não podem mais ser utilizados. E os pré-candidatos, que por muito tempo usaram a técnica, foram excluídos das listas para a escolha interna dos candidatos à...

O LADO B DOS SUFIXOS

Em janeiro deste ano publiquei aqui no blog um comentário sobre a vida complicada do sufixo –ismo, que, entre as suas várias funções, assume também tom jocoso ou depreciativo. Comentei também o uso de outros sufixos, em especial o –eiro, o meu preferido. Por que volto sempre a esse assunto? Porque os sufixos dão elementos, especialmente aos que não são falantes nativos, para entender o processo de formação de palavras, para elaborar hipóteses semânticas. Os leitores assíduos também vão lembrar que adoro refletir sobre o uso das palavras que ofendem. Não que eu faça apologia no sentido literal, mas tenho a convicção de que uma palavra dura é sempre menos pior que uma bofetada literal. Se a língua deve ser usada para tantas coisas, inclusive resolver conflitos, também deve ser útil para evidenciar o conflito, evitando a pancadaria real. O que os sufixos têm a ver com isso? Simples: também existe um sufixo para desmoralizar. É o sufixo –ICE. Esse é mais um exemplo do que costumo rep...

APOLOGIA AO PALAVRÃO

Fique claro: a minha alma refinada engole de mau grado grosserias, palavras de baixo calão, vulgaridades, obscenidades, insultos em geral e o que mais possa ser colocado sob o guarda-chuva de “palavrão”. Observe-se também que “palavrão” é um daqueles eufemismos típicos do português: de fato, quando queremos rebaixar alguém de forma sutil (mas nem tanto), usamos o aumentativo: bobalhão, bestalhão, paspalhão, valentão, etc. Trata-se de palavras que passam sem grandes dificuldades pelo crivo dos ouvidos mais delicados. Agora a apologia: o interesse sobre o assunto deriva de uma demanda real, das perguntas diretas que os estudantes fazem sobre o tema, com uma ponta de curiosidade e talvez de prazer em levantar questões constrangedoras e deixar os professores em maus lençóis. Eu não me faço de rogada e enfrento com classe para deixar bem claro que não é qualquer palavra que me assusta. Ao buscar uma resposta bem fundamentada, encontrei um texto do professor Cláudio Moreno, docente da Unive...