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Mostrando postagens com o rótulo linguagem não-verbal

PARA QUE FALAR DO MUNDO QUANDO SE FALA DA LÍNGUA

Quem lê o Palavras Debulhadas já está acostumado a ler textos sobre coisas que aparentemente nada têm a ver com a língua. Só que a aparência engana. Eu costumo dizer assim: falar da estrutura da língua, falar da sua gramática, é louvável. Mas a língua é muito mais do que isso. A língua é um veículo poderoso de comunicação, que se conecta a gestos (que é linguagem não-verbal, mas extremamente comunicativa), que possui musicalidade (também essa uma linguagem não-verbal, mas que se relaciona mais diretamente à estrutura da língua por causa da fonética), que pode ter dimensão plástica (a literatura do século XX está aí para ensinar que a disposição da língua escrita na folha de papel comunica algo só por sua dimensão, cor e disposição espacial). Há um longo caminho a ser percorrido pela escola, para que o ensino deixe de apostar na gramática como elemento predominante da aprendizagem e valorize a língua em todos os seus aspectos - inclusive, mas não só, gramatical. Sei que isso vai se...

COM LÍNGUA E DENTES

Aos que costumam recordar que o brasileiro é um povo sorridente, recordo que mostrar os dentes é usar a mais arcaica das armas. Mas não de todo obsoleta. A idade do ferro e do bronze estão aí para demonstrar o nosso engenho e arte, mas só na Idade Média demos o salto de qualidade, com o emprego da pólvora para fins bélicos. Dali à bomba atômica foi, historicamente falando, um passo. Ah, mas o brasileiro é um povo pacífico! Nós não temos nada a ver com essa história feita de mortos e feridos. Os nossos compatriotas morrem todos em lenta agonia após longo desespero. Para os nossos moribundos temos o sorriso e a língua. Quantos recursos! Dos palavrões à ironia, da metáfora à hipocrisia. Em matéria de língua estamos entre os melhores. Ou piores. Somos campeões em expectativa de milagres. Os nossos ditos populares estão cheios de sabedoria pronta para o uso: “Se Deus quiser”, “vai com Deus”, “vai com fé”. Se isso não bastasse, temos a espera do milagre cotidiano, as promessas renova...