Na universidade eu tinha um colega que lia dicionário. Não é brincadeira. Hoje é professor universitário, um profissional sério e competente. Mas é óbvio que esse resultado profissional não se deve à leitura do dicionário. Para não descredenciar meu colega, que respeito muito, é preciso explicar até o fim o seu método: ler dicionário era uma espécie de rito noturno, utilizado para desafiar a própria memória, para descobrir alguma palavra nova, para refletir sobre o léxico. Um velho mito consolidado entre professores de língua é que o conhecimento de um idioma é diretamente proporcional ao número de vocábulos utilizado pelos estudantes. Há inclusive pesquisas que mostram a relação entre o número de palavras utilizadas e a faixa salarial em que o profissional pode se colocar. Essa é uma grande falácia. Se assim fosse, os professores de português, os gramáticos e os linguistas receberiam uma remuneração milionária, e os físicos, com sua conhecida concisão, provavelmente seriam condena...
Amor pela língua portuguesa