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Mostrando postagens com o rótulo polissemia

NOSSA, QUE BANDEIRA!

Brasileiro adora uma festa, imaginem se não teríamos no nosso calendário oficial o dia da bandeira, com direito a cerimônia e tudo! Claro que temos! Aliás, para o Dia da Bandeira, 19 de Novembro, temos hino específico, escrito pelo Príncipe dos poetas, ou seja, Olavo Bilac - o mesmo que compôs o poema "Língua Portuguesa", eternizando o nosso idioma como "última flor do Lácio". Mas essa já é outra história. Bandeira é uma das tantas palavras em português que se caracterizam pela polissemia. Já comentei isso em outros artigos: considero a polissemia um dos elementos característicos da nossa língua (aconselho escrever "polissemia" na janela de busca do blog para listar todos os artigos que mencionam esse tema). Resumo o conceito: a polissemia, por um lado, é uma riqueza, pois revela capacidade de dar sentidos diferentes para um mesmo termo, mas é também um fator de dificuldade para o falante, porque nem sempre temos domínio de todos os sentidos de uma pala...

VOCÊ É MAFIOSO?

Oh... que pergunta horrível! Uma cara amiga minha diria: "você faz uma pergunta dessas sem nem me dar o tempo de retocar o batom?". E além do mais, o que os mafiosos têm a ver com a língua? Tudo. Mas em vez de dar o conceito pronto e mastigado, proponho um teste interativo, em que o leitor poderá descobrir através do método maiêutico se é mafioso ou não. 1) Um amigo seu revela que para ter acesso ao financiamento da casa destinado a pessoas com uma determinada faixa de renda, decidiu ocultar parte dos rendimentos na declaração de impostos. Você pensa: (a) não é problema meu (b) fez bem, no seu lugar eu faria o mesmo (c) apesar de ser seu amigo, não posso deixar de dizer que reprovo a sua atitude (d) outra resposta. Qual?........................... 2) Uma empresa está selecionando candidatos e quer saber se você conhece alguém com o perfil desejado. Você conhece uma pessoa com os requisitos, mas é uma pessoa antipática. O que você faz? (a) diz que não conhece ninguém ...

LEITURAS

É um vazio que preenche. É um silêncio que ensurdece. Parece uma pausa, mas é tempo cheio. É bagagem. É necessário. Ler é fundamental. O que estou lendo enquanto leio? Leio o estilo, saboreio a escolha das palavras. Detenho-me na dimensão da frase. Por que parágrafos longos intercalados por parágrafos curtos? Percorro as linhas e às vezes tranco a respiração. Suspense. Às vezes fico com raiva. Às vezes rio. Às vezes volto para ter certeza de que estou entendendo bem. E às vezes retorno pelo prazer de ler novamente. Depois de muito ter lido, achei que a leitura tivesse sido a minha melhor gramática. E foi, no início. A gramática normativa percorreu com facilidade meus neurônios e a minha boa disposição para apreender as lições, porque já tinha lido, e muito. Já tinha a língua nas veias, faltava a consciência. Depois da gramática - e ainda hoje, com a gramática -, a leitura tornou-se a bússola que indica os caminhos da língua. Quando não estou escrevendo aqui no blog é porque estou...

SEIS NÃO É MEIA DÚZIA

Sinônimo não existe. Quando as pessoas me perguntam o que estou querendo dizer com isso, costumo responder que estou dizendo o que estou dizendo; se quisesse dizer outra coisa diria outra coisa. Na verdade, quando as pessoas perguntam o que você está querendo dizer, não estão esperando que você se explique  com outras palavras, afinal de contas, todo mundo sabe que “sinônimo não existe”. As pessoas estão esperando que você explique a metáfora, o uso deslocado que fez com suas palavras; esperam que você explique o que não foi dito, foi dito com meias palavras ou foi dito metaforicamente, usando um “deslizamento semântico”, como se diz em termos linguísticos. Seis não é meia dúzia porque sinônimo não existe, mas seis pode ser meia dúzia porque a língua é polissêmica. Uma questão de polissemia. Como digo frequentemente a meus alunos, é preciso prestar atenção às definições usadas para explicar a língua, que nesse caso é “deslizamento”. De fato, o fenômeno do “deslizamento” é muito pr...