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Mostrando postagens com o rótulo dissertação

POR OUTRO LADO, CUIDADO

Levante a mão quem não aprendeu que uma boa dissertação escolar precisa apresentar os argumentos e contra-argumentos em dois parágrafos separados? É verdade. Ensina-se assim. Apresenta-se a questão que "por um lado" é assim e "por outro lado", assado. Tudo bem, mas cuidado com o "por outro lado". Quando estamos apresentando o outro lado da questão, que muitas vezes não coincide com o que pensamos, acreditamos, defendemos e consideramos correto, corremos um risco bastante alto de fazer uma média, em vez de apresentar realmente o outro lado. Corremos o risco de relativizar a nossa própria posição, a fim de dar espaço à posição do outro. Corremos o risco de assumir uma posição que não é nossa e de parecer que, afinal de contas, não temos nenhuma posição, apenas precisamos preencher trinta linhas seguindo o modelito do manual. Uma boa dissertação é bem diferente disso. Não requer uma posição equidistante, assética, indolor. Façamos um exemplo: devo falar sob...

LEGO E A ANATOMIA DO TEXTO

Nem só escrevendo, e errando, a gente aprende a escrever. Em uma época de inflação de material escrito à disposição, dissecar textos também é um modo eficaz para entender e aprender como um texto é estruturado. Esses tempos um amigo pediu uma ajuda nesse sentido: tinha um grande número de informações para sintetizar em um texto curto e que conservasse os dados principais, que ele elencou em quatro pontos. Sim, esse é um bom começo: identificar os pontos mais relevantes. Com esses dados em mãos, o meu trabalho foi realmente muito simples de executar. Em primeiro lugar, eliminei as perífrases. Toda dissertação contém perífrases, expressões que especificam ou ampliam uma afirmação que geralmente é apresentada de forma sintética na introdução. Feito isso, passei às frases. Uma frase longa, muitas vezes estruturada por meio de período subo...

SOFISTA, EU?

Não invejo os filósofos. Se o ofício do professor de língua está sempre por cumprir-se, porque a língua é dinâmica, viva e desafiadora, a impressão que se tem é que os filósofos são eternos incompreendidos, sem um lugar de destaque nos currículos escolares, com uma babagem profissional pouco atrativa para a lógica do mercado. Mentira: eu invejo os filósofos, e como! Invejo aquela capacidade de desarmar as falácias, de mostrar com clareza que as premissas não justificam as conclusões, de explicar esse mundo incoerente. Mas faço o que posso: confesso sem falsa modéstia que sou craque nas regrinhas básicas de uma boa dissertação. Na teoria é o seguinte: introdução, que apresenta o tema a ser tratado e as eventuais posições contraditórias a respeito dele; dois parágrafos descrevendo as motivações para a defesa das posições opostas entre si; uma conclusão que sintetiza os argumentos expostos e que, quando admissível, evidencia a posição fundamentada do autor. Vem-me à mente um exemplo magis...