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Mostrando postagens com o rótulo formação de palavras

O LADO B DOS SUFIXOS

Em janeiro deste ano publiquei aqui no blog um comentário sobre a vida complicada do sufixo –ismo, que, entre as suas várias funções, assume também tom jocoso ou depreciativo. Comentei também o uso de outros sufixos, em especial o –eiro, o meu preferido. Por que volto sempre a esse assunto? Porque os sufixos dão elementos, especialmente aos que não são falantes nativos, para entender o processo de formação de palavras, para elaborar hipóteses semânticas. Os leitores assíduos também vão lembrar que adoro refletir sobre o uso das palavras que ofendem. Não que eu faça apologia no sentido literal, mas tenho a convicção de que uma palavra dura é sempre menos pior que uma bofetada literal. Se a língua deve ser usada para tantas coisas, inclusive resolver conflitos, também deve ser útil para evidenciar o conflito, evitando a pancadaria real. O que os sufixos têm a ver com isso? Simples: também existe um sufixo para desmoralizar. É o sufixo –ICE. Esse é mais um exemplo do que costumo rep...

TESTAMENTO

Quando uma língua morre, o seu legado é incorporado ao patrimônio dos idiomas descendentes. Dito em palavras pobres, o trabalho da filologia é ir buscar a herança que adquirimos e que rendem frutos nas línguas modernas. Descobrimos, assim, uma rede de relações que nos liga à panínsula itálica, à Magna Grécia e chega aos territórios indianos, onde ainda hoje o sânscrito é usado em certos âmbitos. Encontramos ainda elementos da língua que afundam raízes na África, no Oriente Médio, sem falar das influências anglófonas que lançam seus tentáculos do hemisfério norte. O português tem parentes nos quatro cantos do mundo!         Isso é uma grande vantagem para quem quer aprender o português, pois poderá buscar na própria língua recursos para a compreender melhor a nossa. É também uma grande vantagem para o falante nativo que quer aprender uma língua estrangeira, pois encontrará na própria língua portuguesa elementos úteis para descobrir o novo idioma. E ...

SER IMIGRANTE, TER UM FILHO MAMEIRO

Não costumo colocar no blog elementos da minha vida pessoal, nem quero dar uma de Piaget e fazer teoria usando meu filho como cobaia, mas desta vez abro uma exceção para mostrar algo que acontece toda hora em uma língua viva: nasce uma palavra. Ser a única estrangeira da família é uma questão que já não levanta mais polêmicas. A última discussão foi aberta pelo filho, que naturalmente tem o entusiasmo dos seus seis anos e não desiste nem diante do enésimo “não”. Estava desconsolado porque a mamãe fala bem italiano e continua afirmando que é brasileira, só brasileira. Então eu disse que a gente pode ser estrangeiro e falar bem uma língua estrangeira. E que em uma família as pessoas não são iguais. Na nossa família todo mundo é diferente e isso é muito interessante! Essas conversas acontecem geralmente durante o café da manhã, entre um biscoito e um sanduíche, eu falando português, o pai falando italiano, e o filho falando as duas línguas. Eu bato o pé com essa história de ser br...