Para explicar os falsos cognatos em português, eu costumo recorrer a uma frase de Leonel Brizola, político diretamente implicado nos fatos que antecederam o golpe militar de 1964: "cunhado não é parente!", ele dizia. Brizola era cunhado do então presidente João Goulart, sob assédio, que assumira a presidência após a renúncia de Jânio Quadros. Por um lado, Brizola defendia a legalidade da presidência do cunhado; por outro, via a possibilidade de tornar-se candidato em uma eventual eleição. Mas a lei eleitoral vetava candidatos com relações de parentesco, daí a oportunidade da frase: "cunhado não é parente!". A brincadeira tem sentido em italiano porque a palavra "cognato" na língua de Dante significa "cunhado". Em português "cognato" significa "parente". Portanto, se falamos de "falsos cognatos", falamos de falsos parentes, falamos de palavras que induzem ao equívoco. De fato, cunhado não é parente, cunhado é afim!...
Amor pela língua portuguesa