Posso pedir um favorzinho? Agora nós vamos fazer uma tarefa. Podem começar. É preciso. Deve ser feita. A etiqueta manda e a língua não se faz de rogada. Aí estão uns poucos exemplos da arte de mandar, dispensando o clássico imperativo. Aliás, o comando eficaz deve evitá-lo: reserve uma boa ordem explícita para as instruções, aquelas de manual (que pouca gente lê) – e não deixe de notar que acabo de usar o imperativo, caso decida ficar por aqui. ... ... ... Não encarnei a Clarice Lispector. Não estou inovando nada, estou apenas utilizando os sinais que a pontuação nos oferece para caracterizar uma outra forma de domínio: aquela que se efetua sem que uma palavra seja dita. Exemplo prático. A secretária pede ao chefe: – Posso sair mais cedo? Resposta: – ... Na vida real se diz: “se faz de surdo”... Cruel? Nem tanto. Aí vai uma melhor. A secretária pede ao chefe: – Posso sair mais cedo? Resposta: – O que a senhora achou do desfile de carnaval? Na vida real...
Amor pela língua portuguesa