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CERVANTES E A MÁQUINA DE FAZER RISADAS

1. Darcy Ribeiro conta em um texto que não consigo encontrar fora da minha memória o seguinte: que certa vez ele se encontrava em uma tribo isolada e que depois de seis meses chegou-lhe uma remessa com várias coisas que havia solicitado para realizar a sua pesquisa. Junto com os pedidos enviaram também um exemplar do Dom Quixote, livro que Darcy Ribeiro adorava. Conta ele que se deitou numa rede, abriu o livro e começou a repassar alguns trechos, dando umas boas gargalhadas. Quando se deu por satisfeito, foi fazer outra coisa. Um índio, que provavelmente nunca tinha visto um livro na sua vida, pegou o Quixote, deitou-se na rede, esfolheou o volume e começou a dar gargalhadas. O livro tinha se transformado nisso: em uma máquina de risadas. Todo livro é um poderoso instrumento de comunicação e no seu interior há um decodificador ao qual é preciso sintonizar para estabelecer o contato. Qualquer instrumento: livro, jornal, TV, internet pode ser uma máquina de risadas, de ódio, de prop...