Eu adoro as interjeições. Pobre classe gramatical, especialmente quando é usada pelos jovens. Mas quando empregada por adultos, especialmente os chamados ilustres e respeitáveis, a interjeição enche o peito, vaidosa do papel que representa no teatro das figuras de linguagem. Basta pronunciar um "hein" para que um diálogo mude totalmente o seu curso. O "hein" pode significar dúvida, descrédito, ironia, malícia, inveja, aversão, corroboração. "Hein" pode ser um mundo obscuro: um terreno onde prevalece a interpretação. E quando interpretamos, sabe-se, os limites são muito subjetivos. Eu fico imaginando um diálogo à maneira de Esperando Godot, no qual um dos interlocutores repete continuamente a interjeição "hein". O cara diz nada e diz tudo. Enquanto isso, o mundo. Mas "hein" tem algo mais que as virtudes semânticas. Possui também a beleza local da nossa fonética: não bastasse ser uma típica palavra nasalizada, também contém a ditongaç...
Amor pela língua portuguesa