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PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MEMES

1. É sempre Grande Sertão: Veredas , um dos meus romances preferidos, que volta à memória quando penso no uso da linguagem. Como se o Brasil, passado, presente e futuro, estivesse inteiramente ali, esperando apenas o seu cumprimento. O romance fala de tudo, como se sabe, fala de tudo e de dúvidas, porque a dúvida confere a grande humanidade, frágil, precária, que agiganta a personagem. Em um certo momento, Zé Bebelo chama Riobaldo para animar os jagunços. Riobaldo diz que não é nada, nada, nada mesmo, nadinha de nada, nada... coisinha nenhuma, o nada coisinha mesma nenhuma de nada, o menorzinho de todos. De nada. De nada... De nada... Ao ouvir a autodescrição de Riobaldo, Zé Bebelo reage com desconfiança "perturbada", mostra inquietação. Então ri, de modo generoso, e diz ao seu jagunço: "Tu vale o melhor. Tu é o meu homem!..."  Guimarães Rosa não é apenas um grande narrador, é um profundo conhecedor da linguagem: nesse romance, feito de guerra, morte, ...

Químicos aprovam nomes dos novos elementos da tabela periódica

Assinalamos uma notícia que anuncia os nomes dos novos elementos químicos da tabela periódica e indica as regras seguidas pela União Internacional de Química Pura e Aplicada para estabelecer as novas denominações. As novas palavras aceitas pela instituição são classificadas como "epônimos". O epônimo é um nome próprio usado para designar outro nome. Em português, usamos genericamente este termo, mas eu prefiro chamar os neologismos formados a partir dos nomes próprios de "deônimos", para marcar que se trata de palavras derivadas. Apenas outra observação, não bem esclarecida no artigo: "Nihon" não é uma simples palavra de origem japonesa (de fato, apenas isso não a caracterizaria como deônimo), mas "Nihon" é o modo mais comum de pronunciar "Japão" em língua japonesa. Isso abre uma outra questão interessante: o fato de muitos países possuírem um nome em língua local e outro ligado ao contexto histórico. Isso ocorre, por exemplo, com...

Aula de culinária para entender a gramática

Os italianos adoram comer. E adoram cozinhar. A mesma paixão que revelam quando se dividem entre times rivais, eles revelam quando se trata de defender a receita original e a mais original de um prato! A mesma paixão que revelam ao defender a sua seleção, mostram ao unirem-se contra qualquer tentativa de internacionalizar seus pratos, desfigurando a cor local. O professor Massimo Montanari, da Universidade de Bolonha, escreve sobre o sentido de originalidade em um artigo do livro "Il Pregiudizio Universale" (um jogo de palavras com a expressão "juízo universal"; mas o título deve ser traduzido como "o preconceito universal", "pregiudizio" é um falso cognato). No caso, a noção de receita original parte de um típico prato da cozinha do Lácio, a massa à carbonara. O autor explica que há inúmeras receitas na rede e que o uso de alguns ingredientes chega a causar inimizades. É o amor pela cozinha e pela tradição. Quando uma receita é assinada por um ...