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Nutella? É guerra!

O Made in Italy nunca para de sofrer. A Itália é conhecida no mundo pelas iguarias e pelos produtos da indústria alimentar, feitos segundo receitas rigorosas com matérias-primas locais. Quer dizer: são inimitáveis. Mas o mundo copia, e no mundo inteiro encontramos o parmesão, que é não só uma tradução do "parmigiano", mas uma cópia mal feita do queijo original. Muçarela? Sim, em português escrevemos com "ç" para deixar registrado que se trata de um estrangeirismo, mas a verdadeira "mozzarella" tem que ser feita com o leite de búfala de Caserta, de Salerno ou do Sul do Lácio (a chamada "mozzarella pontina"). A última batalha gastronômico-linguística está sendo feita contra o termo Nutella. A Academia Nacional do Irã decretou que o nome deve ser banido do país e traduzido em persa. Mas convém explicar melhor nos detalhes: no Irã, as panquecarias são chamadas de NutellaBar, porque fazem especialmente panquecas recheadas com creme de chocolate e ...

AB IMO CORDE

Gosto muito de etimologia, não somente por amor à história, mas também pelas relações que as palavras estabelecem entre si. É um vício, porque uma palavra puxa outra, história puxa história e a gente vai se redescobrindo no labirinto da língua. Hoje quero falar da família da palavra "coração", por isso usei o título em latim, que significa exatamanete isso: "do fundo do coração". Vamos, então, recuperar alguns sentidos lá do fundo do baú? Que tal começar com MISERICÓRDIA? A palavra possui a raiz miseri-, que também está presente na palavra "miséria", e que significa suscitar piedade. A isso se soma o elemento -CORDIA, do latim "cor, cordis", ou seja, "coração". Sentir misericórdia é ter piedade com o coração. Para os latinos, o coração era o centro das qualidades humanas. Por isso, a CORAGEM também vem do coração. A CONCÓRDIA e a DISCÓRDIA são a harmonia ou a desarmonia mediadas pelo coração, por meio das emoções. O ACORDE também vem...

NEOLOGISMOS EM TEMPO DE CRISE

Se alguém retornasse hoje ao Brasil, após uma ausência de 10 anos, ficaria perplexo e desorientado com os termos que empregamos no cotidiano: coxinha, petralha, isentão... o que é isso? É a vitalidade da língua, sinalizando um momento crítico, significativo na nossa história e na nossa sociedade. O termo "coxinha" designa um salgadinho típico da nossa culinária, mas hoje se torna metáfora. Talvez possamos dizer que é um cidadão típico, médio, ou médio-alto, e que atualmente se coloca entre os que levantam críticas explícitas ao governo. A palavra "petralha", salvo engano meu, é um trocadilho com "metralha", personagens da Disney, aqueles ladrões fofos que viviam tentando roubar o Tio Patinhas. Aqui a alusão é referida aos casos de corrupção que estão sendo investigados na Operação Lava Jato. Os "petralhas" são os defensores do governo sob investigação. "Isentão" é o último neologismo do momento. Diante da polarização entre "coxi...