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NÃO HÁ VIDA FORA DA CALIGRAFIA

A frase do título encerra um conto magistral de Moacyr Scliar, O Sindicato dos Calígrafos, escrito em 1978. Era a época de ouro da datilografia, e ninguém sonhava que o visor tátil iria aposentar até os teclados que substituíram com prepotência a máquina de escrever. Todo o conto é um hino à melancolia que não desiste de ter esperança, porque não tem nenhuma esperança, porque não tem outra solução. Um dos personagens, o Epaminondas, faz uma reflexão sobre a sua vida e considera que teria sido oportuno ter tido o nome Luís - com "l" minúsculo, numa ascendente que atinge o ponto culminante para descer em um vertiginoso crepúsculo. É uma das imagens mais amargas do texto, na qual o sujeito se defronta com uma realidade inexorável: a da sua vida perfeitamente espelhada na sua atividade profissional. Uma vida que perde o sentido à medida que a profissão perde utilidade. É nesse contexto que se sobressai a frase: "A permanência da arte caligráfica, diz Alcebíades, um dos fund...

PORTESTE: Teste os seus conhecimentos

Gostaria de informar que criei um pequeno aplicativo para testar conhecimentos da língua portuguesa. O link para baixar gratuitamente o aplicativo é este aqui: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.wPORTESTE&hl=it Este é o ícone para identificar o aplicativo. Bom divertimento e deixem os comentários de vocês. Obrigada!

A revolução francesa contra o circunflexo

Banido. Adieu, caro circunflexo. Pois é, é a França entrando na onda da reforma ortográfica. Dizem que para além dos Pirineus a briga entre defensores do circunflexo e os seus opositores está tão aguerrida quanto a batalha pelo nosso acordo ortográfico. A novidade é esta: o uso do circunflexo não será mais obrigatório na língua francesa. Mais ou menos como acontece no Brasil, onde muitas pessoas escrevem mal, mas os temas ligados ao português desencadeiam ódios e inimizades, da mesma forma, na França, a língua é tema sério, defendido pelo Estado, um patrimônio nacional. E as mudanças no idioma devem passar pelo diário oficial, como o nosso acordo ortográfico. Aqui uma das charges sobre o tema Novamente, o que está por trás da polêmica é o valor da língua como patrimônio cultural e como vetor de comunicação. Os que acusam a reforma dizem que a simplificação dá aval à superficialidade. Os defensores afirmam que a discussão sobre a complexidade da língua francesa, que cria dificu...