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Olha só...

Esta semana, a Nutella, um dos produtos italianos mais conhecidos no mundo, está lançando uma campanha de venda na Itália com expressões dialetais impressas no rótulo. Na imagem, vemos uma expressão usada no dialeto romanesco, usado em Roma, que significa "olha só...", indicando surpresa. Não é uma novidade esse tipo de "personalização" (ou "customização" - palavra introduzida no português a partir do inglês, e que possui muitos significados interessantes merecedores de um artigo específico). A Coca-cola também realizou uma campanha planetária, atraindo o consumidor à caça do seu nome, do nome de amigos ou de frases que exprimissem o espírito do momento em que se bebe o refrigerante. Em termos de uso da língua, o que há por trás dessas propostas? Há a percepção de que a empatia pode ser traduzida em termos linguísticos e pode ser usada com fins persuasivos. Esse tipo de estratégia vai além do objetivo de aumentar as vendas em geral, ela quer atingir ...

TCHAU PARA VOCÊS!

"Seu escravo, vossa mercê!" Quem diria que ao usar a expressão coloquial "tchau pra vocês!" estamos atualizando uma expressão que encerra tanta reverência, não é? Pois pasmem, é isso mesmo. Vamos à história. A palavra "tchau" vem do italiano, mas especificamente do dialeto vêneto ("sciao"). Não é de admirar-se, visto que temos tantos descendentes de vênetos no Brasil. Mas antes de vir do vêneto, o "sciao" (transliterado como "tchau") vem do latim "sclavus" (escravo). É um termo que pertencia à expressão: "seu escravo". Também no português, usar essa expressão era o máximo da reverência: "José, seu escravo!". Lindo quando se trata de uma declaração de amor, abominável quando significa total submissão. Já a palavra "vocês" tem uma história toda lusófona: trata-se de uma típica evolução caracterizada pela economia fonética, ou seja, pela simplificação ou concisão na pronúncia (o que de...

REBOBINAR - EM VIA DE EXTINÇÃO

Fora da esfera técnica, ninguém mais usa o verbo rebobinar. Antigamente era costume: rebobinava-se o filme da máquina fotográfica para não perder as imagens na hora de mandar fazer a revelação. Rebobinava-se a fita de vídeo para não pagar multa na locadora. Rebobinava-se a fita cassete (com caneta Bic) para não perder tempo, enquanto se escutava a próxima fita no aparelho de som. Ninguém mais rebobina. A gente clica, deleta, carrega, baixa, aperta o botão, escolhe o tipo de reprodução. Rebobinar dava aos sentidos da visão e da audição uma dimensão tátil mais intensa que a de hoje. Ou pelo menos mais circular.