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IR: MODOS DE USAR

Fazia tempo que eu não falava dos verbos. É que eles são tão arraigados ao uso que fazemos da língua, que explicitar é quase uma violação da intimidade que temos com as palavras, com o nosso modo de conviver com o idioma. Obviamente, não pretendo com isso dar a entender que não é preciso estudar os verbos. É preciso estudá-los e é um direito tomar posse deles, torná-los nossos, usá-los com toda a propriedade de que dispõem. Usar bem os verbos é como apropriar-se plenamente de uma herança. Não falo tanto dos verbos porque a escola faz isso todos os dias, como um jardineiro paciente, como um precetor cuidadoso. Eu falo dos verbos como um pintor de aquerela sentado na praça: com paixão pelo tempo que corre, pela água que escorre, pelas cores que desbotam indiferentes à beleza do absoluto. Eu falo dos verbos que fazem caretas para os falantes, reinventam-se, vivem porque renascem todos os dias nas nossas línguas. O verbo IR, por exemplo, hoje bateu à porta da minha memória sem ser cha...

SABORES DO ORIENTE

De onde vêm as frutas que comemos? Muitas vezes vêm de longe, e nem sempre pensamos nisso: na distância, no tempo, no que significam (quando é possível descobrir). Pêssego - vem do latim persicu(m) (malum), ou seja, maçã da Pérsia. Na realidade, o pêssego vem da China, mas desde a Antiguidade era conhecida na área mediterrânea, onde era associada ao cultivo na Pérsia. Ameixa - vem do latim (pruna) (d)amascea, ou seja (pruna) damascena, de Damasco. De "amascea" [amaxea > ameixa], evoluiu alterando a posição do ditongo. Interessante, não? Em italiano, só por curiosidade, prevaleceu o termo "pruna", que na língua de Dante escreve-se "prugna". Bergamota - vem da expressão turca "beg armudi", ou seja, "pera do príncipe". Laranja - origina-se do termo persa "narang", provável derivação do sânscrito "nagaranja", que significa "gosto dos elefantes". Curiosamente, em italiano, uma das formas de nomear uma...

CARA DE QUÊ?

"Aí, cara, como vai?" "Cara" nem sempre é o feminino de "caro" e sinônimo de "querido". "Cara" pode ser um nome genérico para indicar "pessoa", "amigo", "fulano". E, com muita frequência, "cara" é masculino. "Cara, você, sim, que é meu amigo!" "Você é o cara!" "Vi um cara estranho na rua." O Aurélio explica que "cara" vem do grego "kara", "cabeça". Os latinos usavam "caput" para indicar a extremidade do corpo: portanto, é claro que esse termo também deu origem a várias palavras em português. Vamos ver como evoluiu o nosso léxico, a partir de "caput" e "kara"? Palavras originadas de "caput" Cabeça - para entender como passamos de "caput" a "cabeça", primeiramente é preciso lembrar que as consoantes "p" e "b" alternam-se com frequência, porque são ...