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A SÍLABA, COITADA

Há elementos da gramática que parecem destinados ao papel da vilão. A sílaba é um deles: não há concurso que se preze que não coloque uma questãozinha sobre uma exceção na divisão silábica. Ah, porque para um belestrista, para os pedantes de plantão, a regra geral da divisão silábica não importa, o que vale é a humilhação de desmascarar os candidatos e fazê-los morrer na praia por causa das exceções. Não bastasse isso, a tecnologia absorveu completamente a necessidade do revisor na diagramação do texto. A silabação é automática e as "viúvas" (as linhas quebradas isoladas no início de uma página) podem ser eliminadas com um ou dois truques de qualquer editor de texto. A sílaba vive dias difíceis, de indiferença e de ódio. Estudar para quê? Como para quê? Para elevar o espírito, ora bolas! Para apropriar-se das palavras e do vocabulário da língua saboreando cada pedacinho, como se fosse um tablete de chocolate finíssimo. A sílaba faz música na poesia, impõe o ritmo. Os po...

A OBSESSÃO DOS OBJETIVOS

O texto de hoje deveria falar sobre uma das obsessões das chamadas "boas escolas": o cumprimento do programa. Porém, ao refletir um pouco mais, percebi que essa obsessão é só a primeira de outras obsessões análogas, ou talvez seja a fase propedêutica de uma obsessão que nos acompanha no trabalho, nas relações sociais, que espelha o nosso modo de estar no mundo. Na escola, o programa parece ter um papel central. Então, os alunos não são levados a exprimir os seus talentos, a explorar a sua criatividade, a fazer descobertas espontâneas (que são o verdadeiro motor das revoluções científicas, embora seja validíssima e importante a pesquisa cotidiana com método e rigor). Os alunos são levados a cumprir o programa. E quanto mais capaz de se adaptar ao programa, mais o aluno é considerado exemplar. Um exemplo mundial desse tipo de padronização que as recentes gerações estão sofrendo? O exame PISA, aplicado em vários países, inclusive no Brasil. Eu não sou contra o PISA, seria boba...

CENTÃO

Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Não quero mudar você Nem mostrar novos caminhos. Quando criança Me assoprou no ouvido um motorista Que os bons não se curvam Desconhecem as variantes E o estilo numeroso Dos pássaros que sabemos, Estejam presos ou soltos; Têm ritmo - para que possas profundamente respirar. Não aprofundes o teu tédio, Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios. Sentas-te à beira da noite Para fazer este poema, Este poema não é teu, É da tinta e do papel. Deixa-me apreciar minha loucura, Importuna Razão, não me persigas. Um mundo novo espera só um aceno... À borda dos abismos silenciosos... Crê no bem, ama a vida, sonha e espera. Centão é uma composição feita com trechos de obras de outros autores. Os créditos do centão acima são de Antero de Quental, Antonio Cicero, Bocage, ...