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O SILÊNCIO, UM DIREITO DESPREZADO

E pensar que o silêncio já foi preceito: hoje nós temos grande dificuldade de calar e, especialmente, de dar significado ao silêncio. Ao contrário, a calúnia e a mentira vendem jornais e espaços publicitários; o direito de resposta aumenta ainda mais as vendas. A manipulação da linguagem está na ordem do dia e quem quer ganhar dinheiro e poder sabe as regras desse marketing. Contra esses abusos não adianta usar decretos e leis. É preciso estar preparado para separar o joio do trigo. A tarefa não é fácil, justamente em uma sociedade de informação que sofre com a inflação de informações e, do ponto de vista negativo, aposta nessa inflação para criar mistificação. Por outro lado, é cada vez mais evidente o papel dos formadores de opinião, cuja posição não se sustenta nos argumentos, mas especialmente na reputação do autor. Uma bobagem dita por quem tem credibilidade no mercado vale muito mais que o bom argumento do autor de série B. Isso vale para a comunicação de massa, mas também p...

ACREDITE, QUEM QUISER

Quando a minha mãe queria que as pessoas se assombrassem com um fato, ela nunca deixava de acrescentar no fim da história a expressão: "Acredite, quem quiser". Na verdade, ela não dizia assim. Ela dizia: "acredite-quem-quiser". Quer dizer, a frase era uma única e compacta massa de sentido. Era, como tantas outras do nosso repertório popular, uma expressão linguisticamente sofisticada, construída na ordem inversa, com o uso do futuro do subjuntivo e do imperativo. Uma frase que a gente cansa de encontrar na boca do povo (que não conhece a riqueza do seu linguajar e acredita ser ignorante). Sei que tenho sido insistente ultimamente, mas acredito (e acreditar é muito importante para ensinar) que as pessoas precisam reconhecer o que usam, devem valorizar o que já sabem e, a partir disso, aprimorar o conhecimento. Essa coisa de dar exemplos de como as pessoas são burras, de mostrar que a ignorância campeia solta pelas ruas, pode até ter uma dimensão estatística verifi...

CRENÇAS E DESCRENÇAS

A educação está cheia de histórias de descrenças. Há quem não acredite que o ensino possa ganhar da ignorância. No fundo, acredita mais na ignorância que o aluno traz do que no conhecimento que transmite. E o ensino falha. Quando a gente acredita mais na ignorância, ela toma conta do campinho, assola as estatísticas e reforça a ideia de que ensinar é difícil e aprender é complicado. Todo mundo sai perdendo, mas há quem acredite que isso reforce uma certa aura profissional. Há quem não acredite que os alunos sejam capazes de usar estruturas complexas da língua. São pessoas que ouvem pelas ruas frases como "se Deus quiser" ou "se eu pudesse, minha filha" e acham que esses exemplos de subordinação na boca do povo são mero fruto do acaso. Não acreditam que sejam exemplos de interiorização das estruturas da língua nativa. Os descrentes gastam um enorme tempo tentando explicar as difíceis orações subordinadas aos seus subordinados alunos para demonstrarem a tese das d...