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ISSO É EDUCAÇÃO QUE SE APRESENTE?

Educação vem de berço. É o que se diz, e é verdade. Boa ou má que seja, toda criança recebe um modelo que, de acordo com as suas inclinações, transforma em paradigma seu. Atenção: eu não disse que o modelo é transferido, eu disse que o modelo é transformado, de acordo com as inclinações de cada um. Numa família, em geral, os filhos recebem o mesmo modelo, mas cada um processa de forma individual os estímulos recebidos. Alguns recebem péssimos exemplos em casa e chegam à escola parecendo pequenos lordes. Outros saem de contextos super controlados (e poderia dizer que o excesso de controle é um grande problema) e quando se encontram fora do ninho mostram o pior de si, ou melhor, aquilo que podem compartilhar. Eu tive uma mãe muito cuidadosa e também bastante controladora. Bastava um olhar para a Dona Angelina me transformar em estátua. E quando o olhar não bastava, ela vinha com a sua frase típica: "Isso é educação que se apresente?" Era o prelúdio de um longo sermão ...

SOU CAPITÃ!

Se o barco do acordo ortográfico está à beira do naufrágio, eis-me aqui com a minha vassoura: sou capitã! E vou ficar agarrada ao mastro, vou ser a última a pular para o mar. Nem sempre que falo de ortografia lembro de aprofundar a questão da convenção que subjaz essas escolhas. Falei, sem entrar na polêmica, em um dos últimos artigos do blog:  leia aqui o artigo. A minha modesta opinião, de grumete da embarcação, é que os linguistas e os filólogos da nossa língua portuguesa não conseguem chegar a um acordo sobre a questão da reforma ortográfica. Uns, projetados para o futuro de uma língua global e globalizada, de língua franca, usada para trocas comerciais e projetos políticos mundiais; os outros, projetados para o passado e para a tradição, cuidadosos em preservar uma língua que todos os dias corre o risco de morrer com os velhos que se vão e levam consigo histórias, modos de falar, termos antigos que nem sempre são conservados pelo papel. Entendo a diferença de perspectiva...

TÃO -ONHO... TÃO INTRADUZÍVEL

A musicalidade é um dos pontos fortes da nossa língua portuguesa. Além da abundância de vogais (sete orais e cinco nasais), temos as consonâncias que se formam pela riqueza de -m, -n e -nh no nosso léxico. E temos as variações morfo-fonéticas, que só nós produzimos com tal criatividade. Um exemplo é o sufixo -ano, do qual derivam -ão, -âneo, -anho, -enho, -ônio e -onho (que me interessa hoje), sem falar das flexões de gênero e número. -Ano e seus derivados indicam origem, proveniência. Não por acaso, é utilizado em muitos adjetivos pátrios: americano, italiano, colombiano, etc. Também é interessante notar que o sufixo é pouco usado para os adjetivos pátrios referentes ao Velho Continente (casos específicos, justamente porque são nações jovens, são italiano e alemão) e muito utilizado no Novo Mundo, em que a pertença está ligada ao país que conquistou independência após o período colonial. Na Europa, a ideia de filiação (o nosso sufixo -ês), de uma pertença de "sangue", é mu...