Pular para o conteúdo principal

Postagens

TEMPO

Peço perdão aos leitores, mas o tempo tem sido pouco. E o blog paga o pato. Aproveitando a deixa de ser o dia do tradutor (também dia do bibliotecário e da secretária), cujo patrono é São Jerônimo, o primeiro tradutor da Bíblia, da versão conhecida como Vulgata, compartilho esse trecho muito poético do Eclesiastes, capítulo 3: 1.  Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: 2.  tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; 3.  tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; 4.  tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; 5.  tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. 6.  Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; 7.  tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para f...

PROCURA-SE TELÊMACO

Telêmaco? Telêmaco, filho de Ulisses, cansado do assédio à sua mãe (e ao trono de Ítaca), um dia decide meter mãos à obra e ir em busca do pai. Segue o trecho, da ótima edição da Cultrix, em que o rapaz anuncia a sua intenção: É isso aí. Precisamos de telêmacos. É ótimo ter ideias, mas é fundamental colocá-las em prática. É uma pena que a figura de Telêmaco não tenha o mesmo prestígio que a do Mentor (daí o epônimo mentor, em português e em outras línguas neolatinas). Mentor era o tutor de Telêmaco, pessoa de total confiança de Ulisses, como mostra o trecho que dá prosseguimento à fala do jovem: É uma grande falha confundir Mentor com um mentorzinho qualquer. O mundo está cheio de gente que tem opinião sobre tudo, sugestão para tudo e até solução para todos os males. Mas vejam o que diz Mentor diante do vazio de poder que se instalara em Ítaca e do caos que ameaçava Penélope, o filho Telêmaco e, consequentemente, toda a cidade: Mentor não recrimina os pretendentes, que, ...

LEMBREI: SOU PROFESSORA

Há um ano trabalho oficialmente como tradutora. A tradução não é uma atividade nova na minha vida profissional, mas até o ano passado era o meu segundo trabalho, embora fosse o mais importante economicamente. Isso é só para explicar o que todo mundo sabe: que professor ganha muito mal. Professores bem remunerados são tão raros quanto os pandas da China, quanto os tigres de Bengala, quanto os ursos pardos da Europa. Tradutores bem remunerados também são raros. Como disse, o trabalho de tradutor era o meu segundo emprego, e em geral é assim para os grandes e para os desconhecidos tradutores, que levam adiante o seu trabalho por amor à literatura e à ciência, por amor à difusão do conhecimento. A diferença é que tradutores de profissão são poucos e, em geral, quando alcançam essa condição sabem que estão entrando em um círculo privilegiado; professores de profissão precisam ser muitos e sabem que estão condenados a uma vida de sacrifícios em troca da nobre missão. Os professores têm ...