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ONDE HÁ FOGO, HÁ FUMAÇA

Detectar uma mentira não é brincadeira. Bem mais fácil é mostrar por que uma mentira é mentirosa. Falar sobre a mentira é chover no molhado: vista do ponto de vista psicológico, jurídico, filosófico, religioso, sociológico, não há quem não tenha descrito as suas várias facetas. E as estruturas da língua? Há algo nelas que nos permita pegar uma mentira na botija? Apesar do risco de pecar por superficialidade, vale a pena tocar no assunto: quem gosta da língua de verdade não pode ignorar que a mentira tem um peso e um valor que varia de cultura para cultura. Vejamos alguns exemplos para ver como ela se apresenta e como podemos enfrentar as suas armadilhas. Cuidado com palavras que excluem : - Somos só amigos. (amizade colorida?) - De jeito nenhum . (hummm...) Atenção com palavras indefinidas : - Alguém me contou. (nome?...) - Andam dizendo... (o sujeito indefinido é o álibi perfeito de todo mentiroso) O diminutivo não podia ficar fora da lista: - Temos um pr...

EU ENSINO, VOCÊ ENSINA

Dia do Professor , data boa para pensar no que ensinamos quando ensinamos a língua portuguesa. Para começar: cada falante é um professor de língua portuguesa. Quer dizer, fornecemos, conscientemente ou não, um modelo de língua para quem está ao nosso redor. E fornecemos um modelo usando todos os recursos à nossa disposição: palavras, cadência, gestos, ritmo. Os pais são poderosos professores de língua para seus filhos. Porém, quem escolhe ser professor, não substitui os pais, nem os tios (ou tias). Além de continuar a fornecer um modelo de língua para os alunos, o professor tem o compromisso de conduzir os estudantes pelos caminhos tortuosos que o idioma oferece. As receitas para fazer isso são muitas, naturalmente cada professor deve ter a sua. Eu mentiria se dissesse que a minha fórmula está testada e aprovada. Está me convencendo, mas precisei de anos para acertar a combinação dos ingredientes. Em primeiro lugar, é preciso esquecer o título, jogar fora o diploma. O conhecim...

OS 7 PECADOS PRONOMINAIS

Certa vez dei para meus alunos um exercício divertido, que consistia em descobrir 7 erros de colocação de pronomes. Retomo aqui a discussão, pois os pronomes não confundem apenas os estudantes de português como língua estrangeira. O assunto levanta polêmicas intestinas, como aquelas sagas familiares em que filhos rebelam-se à tirania dos pais e os pais escandalizam-se com o mundo que muda e que não conseguem acompanhar. Para dizer em termos culturais: é sabido que, em matéria de pronomes, nós, brasileiros, gozamos de péssima reputação junto à pátria-mãe da língua portuguesa. Não se pode tapar o sol com a peneira, portanto é preciso usar as lentes adequadas. Segue o meu esquema prático para manter um jeitinho brasileiro, sem provocar demais a justa suscetibilidade dos falantes da nossa pátria-irmã. Regra de ouro: O pronome oblíquo costuma ter a função de complemento do verbo. Por isso, se não há outra razão que justifique, deve ser colocado após o verbo. Exemplo: Os encontros realizam...