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OS 7 PECADOS PRONOMINAIS

Certa vez dei para meus alunos um exercício divertido, que consistia em descobrir 7 erros de colocação de pronomes. Retomo aqui a discussão, pois os pronomes não confundem apenas os estudantes de português como língua estrangeira. O assunto levanta polêmicas intestinas, como aquelas sagas familiares em que filhos rebelam-se à tirania dos pais e os pais escandalizam-se com o mundo que muda e que não conseguem acompanhar. Para dizer em termos culturais: é sabido que, em matéria de pronomes, nós, brasileiros, gozamos de péssima reputação junto à pátria-mãe da língua portuguesa. Não se pode tapar o sol com a peneira, portanto é preciso usar as lentes adequadas. Segue o meu esquema prático para manter um jeitinho brasileiro, sem provocar demais a justa suscetibilidade dos falantes da nossa pátria-irmã. Regra de ouro: O pronome oblíquo costuma ter a função de complemento do verbo. Por isso, se não há outra razão que justifique, deve ser colocado após o verbo. Exemplo: Os encontros realizam...

VOCÊ FALA COM A CABEÇA OU COM O CORAÇÃO?

Se você reconhece os acentos tônicos, a correta separação silábica, os encontros vocálicos e consonantais, já tem as bases para uma boa escrita e para os principais concursos públicos. Quando conversamos, porém, o bate-rebate do fala-escuta geralmente não nos dá tempo para avaliar nas entrelinhas o nosso interlocutor. Para desenvolver as nossas habilidades oratórias e de escuta ativa o mercado da formação oferece muitas possibilidades, entre as quais as técnicas de programação neurolinguística, geralmente com custos elevados para o interessado. A velha e tradicional gramática normativa também fornece soluções eficazes e úteis: trata-se das regras referentes aos acentos de insistência, que aparecem na fala quando impregna de afetividade ou de ênfase as palavras pronunciadas. Se o acento é intelectual, recai sempre na primeira sílaba da palavra (é mais evidente se não coincidir com o acento tônico). Além disso, é evidente uma maior intensidade na pronúncia dessa sílaba (pode ser mais int...

INFINITO INFINITIVO

Ele é da turma dos vilões de respeito. Mais de oitocentas mil páginas na internet discutem o que ele é, como é usado e para que serve. Não há vestibular que o deixe de lado. É uma das nossas marcas linguísticas. Causa polêmica entre bacharéis e simples mortais. É confundido com o futuro do subjuntivo (e o pior é que há teses que defendem que o infinitivo derive de fato do futuro do subjuntivo – embora essa não pareça ser a linha dominante entre os filólogos). Pode ser facultativo. É sinal de distinção que pode jogar a discussão mais para o terreno da estilística que para o da sintaxe/morfologia. Há quem diga que não é uma invenção vernacular, mas uma continuação de formas do latim vulgar, presentes também no galego e no mirandês, únicas línguas neolatinas a apresentarem essa característica. O grande Camões não se faz de rogado, e coloca cá e lá um infinitivo pessoal n’Os Lusíadas, que é o monumento fundador do português moderno. O infinitivo dá livro: desde os prontuários para principi...