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SUFIXO, SUFIXO MEU

Existe algum no mundo melhor do que –EIRO? Há quem goste de –ISTA e quem prefira –MENTE. Eu não nutro grande simpatia por nenhum dos dois. Implico com –ISTA por sua fama especializada, que tende a ver tudo por uma parte, é uma metoníma desajeitada. –MENTE, ao contrário, parece arroz de festa: exagera e é preciso apelar para o rigor normativo a fim de salvar o estilo, eliminar o eco e poupar os nossos ouvidos. Admitidas as antipatias, confesso que perdoo todos os –INHOS, nossa marca registrada: estão aí prontos para enternecer, ironizar, enfatizar e o que mais se quiser. –INHO é pau pra toda obra. Gosto também de –DOR, mas o meu preferido é –EIRO: é um daqueles sufixos sempre dispostos a agregar-se, dando função a atividades práticas, aplicadas, àquelas que deveriam ser melhores (mas a gente faz o que pode!) e àquelas das quais seria melhor não falar, mas comentamos com um toque de galhardia. Vai do padeiro ao porteiro, do engenheiro ao enfermeiro, do arruaceiro ao bagunceiro, do ...

EM VIA DE EXTINÇÃO 4

Desta vez publico uma lista sujeita a reclamações. Porque os números mentem, mesmo de boa fé. Trata-se de tema delicado, a política. Quando comecei a pescar as palavras, achei que estariam perdidas em notícias de arquivo. Para minha surpresa estão aí, sendo usadas para descrever, insultar, ironizar, e se não aparecem mais é porque talvez alguém tente esconder o jogo. Trata-se de pistolão, biônico, chapa branca, correligionário, cabo eleitoral, nepotismo, cabresto. Na coluna ao lado, em ordem alfabética, os comentários.

SER BRASILEIRA É

É flexionar os nomes no gênero feminino É ter etimologias abundantes É usar verbos no futuro É ir além dos regionalismos É assumir o seu idioleto É ter direito à polissemia É fazer da pronúncia uma música que encanta É gritar aos surdos que a língua é mulher Quando certa Ou quando incorrigível Ser brasileira é reconhecer que a alma Mora na nação Chamada Língua Portuguesa