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Mostrando postagens com o rótulo diacronia

UMA VULGAR ELOQUÊNCIA

A interpretação é a maior tentação para a ciência. Ela está aí, e vamos fazendo ciência sem poder prescindir dos riscos a que nos expõe. Às vezes é difícil distinguir a causa e o efeito, o vetor e a característica do fenômeno. A grande polêmica, que aflora cotidianamente, sobre o Acordo Ortográfico, é só um exemplo da guerra intestina que se trava nas áreas que envolvem a língua. Questão de opinião? Questão de vaidade intelectual? Não, questão fundamental, porque a língua é veículo de comunicação ou de desentendimento entre os homens. Mas na área da língua portuguesa, tornou-se também terreno de luta pela defesa da tradição ou do avanço, luta por prestígio geográfico, luta comercial. O Acordo Ortográfico virou uma espécie de bode expiatório para toda sorte de desavença. Para início de conversa, preciso esclarecer aos leitores de que lado estou: após um breve período de ceticismo, aprovei o espírito do Acordo. Falar a partir dessa posição muda tudo e é claro que receberei muitas crít...

ACHADOS E PERDIDOS EM PORTUGAL

CLICK, CLICK, 2012. Graças à rede, que não pode ser informática se não for humana, recebi uma atenciosa e preciosa contribuição sobre o uso dos termos listados por Francisco José Freire, que apresentei no texto anterior. Várias pessoas repassaram o pedido de informação sobre o uso dos termos em Portugal e sou grata pela disponibilidade, pela rapidez com que comentaram a lista de palavras e pelo cuidado em fazer o material chegar direitinho ao meu endereço. Um exemplo virtuoso de corrente. Espero que os leitores possam tirar proveito. Para mim os resultados foram muito interessantes. Reproduzo integralmente os comentários que me chegaram, só não cito o autor agora porque ainda não pedi sua autorização para fazer isso. Mas prometo agradecer devidamente assim que puder entrar em contato com todos os que participaram da coleta dos dados. " Há palavras que os brasileiros utilizam e que por cá são considerados arcaísmos. No entanto, na lista que me envias constam alguns termos...

ACHADOS E PERDIDOS

Lisboa, 1842. Francisco José Freire publica o livro "Reflexões sobre a Lingua Portugueza" (língua sem acento) em que lista palavras que estão desaparecendo do idioma de Camões. Passados 160 anos ( errata : 170 anos! - ainda bem que sou professora de português, não de matemática), descobrimos com surpresa que muitas palavras assinaladas por Freire continuam sendo usadas. Não sei se as palavras que selecionei possuem muita difusão em Portugal, mas algumas certamente são bastante usadas no Brasil. É interessante que o autor ao comentar as palavras indique também as fontes antigas, em que o leitor poderá encontrar tais termos e talvez ter dificuldade de entendimento. Sintetizo as observações do autor, com algum comentário curioso para o falante de hoje. - Acatar : significava honrar com respeito. Hoje é entendido como obedecer. - Alardo : referia-se a grupo de soldados, em sentido figurado indicava ostentação. Hoje a palavra que usamos é "alarde", e o sentido ...